Sabe essas noites que você sai caminhando sozinho, de madrugada, com a mão no bolso?Mentira. A história não começa assim.
Começa com uma blogueira outrora compulsiva atribuindo o sumiço o fato de não ter mais acessado a internet do trabalho, onde as horas ociosas costumavam ser mortas à base de até cinco posts consecutivos.
Instaurado o tédio, a saída sempre é propôr um incremento no lanchinho da tarde. "Eu vou, podeixar."
A intenção por trás da boa vontade era chegar ao estádio do Maracanã sem levantar grandes suspeitas para a já de muito adiada compra do ingresso para o show do Police. Um pequeno desvio no caminho da padaria.
Só faltou combinar com a chuva, que caia torrencialmente ao encontro da primeira vaga disponível para estacionamento imediato. E não é que se via bem dali a bilheteria...e uma fila enorme?
- Aqui é só Flamengo e Grêmio. The Police é lá na bilheteria 2.
Boa notícia: perguntei antes de entrar na fila.
Má notícia: The Police na bilheteria 2, eu na bilheteria 882, mais ou menos.
E a chuva apertando.
-Tá indo pra onde? Ah, deixa eu te levar...
É, eu também pensei que fosse assalto, mas era só mais um torcedor do Flamengo portando um guarda-chuva e o sorriso mais gentil do planeta.
Nem bem quatro da tarde e eu ali beijando pra caramba enquanto esperava a minha vez de pagar.
Eu não tenho certeza se ele se chama Diego ou Diogo ou se ele faz Direito ou Economia, mas de uma coisa eu não posso esquecer: se um momento perfeito substitui o que se anunciava como uma enorme chateação, eu só posso mesmo ser uma pessoa muito legal.
E que agora estabeleceu como meta para 2014 - além de saber o final de LOST - chegar à Copa do Brasil ainda podendo fazer uma pegaçãozinha básica em estádio. International.
Ok, dizem uns que eu também posso estar casada e/ou com filhos e catando mesmo só piolho de cabeça de menino.
Mas com um considerável repertório de tardes bizarras para lembrar se um dia o placar vier a piscar game over.