
Não bastasse a peculiar feiúra característica dos municípios da Baixada Fluminense, minha cidade foi também atacada por políticos esforçados em fazer aparecer - esteticamente - o dinheiro da refinaria, que pelo jeito anda sobrando.
Mas não tem aquela coisa de mulher pobre que quando se arruma só parece ainda mais feia? Pode se vestir de diamante e Chanel da cabeça aos pés que a cara batatuda sempre denuncia a origem. Pensem em Kelly Clarkson e Lucielle di Camargo. O fato é que a pobreza também pode ser bonita desde que não queira se fantasiar de outra coisa.
Com Duque de Caxias acontece igual. A elefante branco assinado por Niemeyer apenas acentua o tom cinza do em torno, provocando um efeito visual estranho, triste e opaco. A perfeita tradução da Belíndia.
Tem também uma decoração de Natal que torna a noite clara como o dia e que depende , para evitar atos de vandalismo, de patrulha policial 24 horas por dia.
E eu já contei várias vezes aqui de como uma sala de aula administrada por esse mesmo município permaneceu até o último dia letivo sem porta e sem ventilador. Porque não há verba.
E eu nem vou começar a falar nos capacitadores pagos a preço de ouro para melhorar a performance dos professores porque parece bem claro aos donos do poder que é esse o grande problema da educação local.
Eu confesso que penso pouco essas questões porque eu costumava me proteger de muita coisa aqui na região mais nobre (???) da cidade - há dois minutos da Linha Vermelha - porque raramento piso do outro lado da linha do trem . Mas o
reality check, como de costume , veio na forma de uma canetada do poder público.
Fecharam quatro turmas na minha escola e eu me tornei uma professora excedente. Passei os últimos dias correndo atrás de um novo lugar para trabalhar em função de uma mudança que sequer foi escolha minha. E eu fui parar
doladodelá , no coração da Belíndia , onde a periferia urbana não se disfarça mais daquela gostosa caracterísitica rural que faz com que os alunos nos levem, de quando em quando, frutas frescas colhidas do quintal.
E as turmas de 35 alunos passarão a atender 50. Deve ser sugestão dos tais capacitadores, que adoram falar em "socialização do educando" como importantíssimo "componente atitudinal".
Primos daquela gente que afirma que a hedionda decoração de Natal "eleva a auto estima da população".