Thursday, October 25, 2007

Faltam 43 dias!!!

Toda contagem regressiva tem o poder de me deixar nervosa e obssessiva.

Como professora, fui me acostumando a contar e controlar o tempo a um ponto em que quase me sinto brincando de Deus.

Hoje, verificando a minha expressão impaciente diante de um novo artefato desconfortável, minha ortodontista de súbito assumiu a aparência de alguma espécie de mestre zen-budista para mandar na lata:

-O que mais atrapalha o meu trabalho é justamente isso. As pessoas parecem que simplesmente esqueceram do que é se engajar num processo. Querem tudo para ontem.

E eu me pus a pensar, diante mesmo até das críticas gerais aos meus posts curtos em série, no quanto eu me sinto enterrada nessa existência multitasking que só permite a ilusão de se estar realizando muito sem que se perceba, de forma concreta, nenhum resultado palpável.

Tá todo mundo correndo atrás não se sabe nem muito bem de quê.

Pessoalmente me vejo perder o gosto da expectativa da festa, dos mistérios da pessoa nova e da tristeza pela proximidade do fim do livro. E eu estou falando de sensações que orientaram os maiores prazeres da minha vida. Não lembro mais da última vez que eu sentei no bar sem ser bombardeada por questionamentos gravíssimos do tipo pra-onde-a-gente-vai-depois.

E assim a vida vai passando. Sem que eu consiga, muitas vezes, elaborar um pensamento decente sem precisar chamar a atenção de algum aluno voador, já portador de algum diagnóstico psicossomático que explica em duas linhas porque ele não aprende nada.

E o resultado disso é que, bem como a aprendizagem, outros processos acabam abortados pelo meio em função da necessidade imediata de confecção de um laudo qualquer. Tem gente, por exemplo, que não viveu ainda nenhuma forma de perda. Para quê, se existe fluoxetina?

"Pra quê?" , no fim das contas, acabou se tornando uma expressão nitidamente sabotadora daquelas novas experiências que tão importante papel desempenham na nossa formação como seres humanos.

Aliás, pra quê a foto do Police? Pra lembrar um pouco de como é gostoso digressionar e para avisar que eu vou de gramado, não esqueçam!

E pra deixar bem claro que a espera não precisa só fazer sofrer.

14 comments:

Ana said...

E pra que se preocupar com isso tudo, se a gente pode simplesmente sentar pra assistir Malhação, néam.

Aliás, que saudade de Malhação Skate.

Cinthya Rachel said...

entendo vc, mas eu ainda fico triste com o fim do livro

Galega said...

post filosófico demais p/ minha cabeça!

Anonymous said...

cara, outro dia tava pensando nisso tb. a gente vive com pressa, não se sabe de q. tava em pleno feriado, passeando com uma amiga e andando rápido pela rua, desviando das pessoas de tão frenética q já to com isso td. pressa de q?? pra chegar aonde?

Gileade said...

Essa sensação de fazer, fazer e não ver fruto parece que é geral...

Ly said...

O mundo anda tão complicado...

fabiana said...

Eu danço loucamente no meio da sala pra espantar a ansiedade. Funciona!

Marion said...

Déia, eu tem o defeito de pensar de mais em tudo. De querer saber a razão dos meus sentimentos e ações. A minha cabeça não pára. Mas tem hora que eu a obrigo a aprar e curtir o momento sem pensar no depois! E eu fico sim triste com final de livro, com final de novela, por sei que sentirei falta daqueles personagens que foram companhia por um tempo bom tempo....

Ah, show no gramado é tudo de bom!!! E este show do Police Promete!!!! Já garantiu o seu ingresso???

Helen said...

Nossa, me acabei, andrea! Ontem mesmo esse assunto veio à tona. Sobre como o desespero pelo destino final atrapalha a travessia interia. Do quanto se perde olhando só pro alto e avante.

E os remédios pra tudo. Não se pode ficar triste. Não é mais permitido sofrer, porque dá ruga e deixa a cara inchada. Pegue aqui uma receita azul, coração.

Que a grande entidade celestial nos livre da agonia, mas que pelo menos, se não rolar, se a dor mostrar a cara, que a gente tenha alguma coisa pra entrar na briga, né? E isso só vivência dá. Sou totalmente contra essa história de ficar peitando a vida, procurando encrenca. Mas se ela der o ar da graça sou eu que vou sair correndo? Eu não, cheguei primeiro...

pronto, viajei.

beijo!

Aline T.H. said...

Viajei muito com o post. E com o comentário da Helen tb.

Porra, de manhã cedo ler alguma coisa tão profunda... cês querem me fazer desembarcar por crise depressiva, avisem! Eu finjo, não precisa ser real...

Amei. Beijoca.

San Lee said...

"Tá todo mundo correndo atrás não se sabe nem muito bem de quê."

Puxa, e correr desse jeito cannnnsaaa!!!

Andrea, esse teu post tem tudo haver com o meu 'cansaço da guerra'.

Saturei!!!

Bjs, bom domingo e boa semana!!!

Drica Menezes said...

a gente corre corre e se cobra tanto e no fim nem sabe ao certo porque? então temos a "sagrada fluoxetina" e afins q nao adiantam efetivamente nada se nao mudarmos o nosso modo d ver as coisas, ai ai...bjao!

A Jana e o Ti said...

Agora entendi seu comentário lá no post... As coisas andam meio doidas, né, Déa?

Heliarly F. Rios said...

Morar na Roça é ruim por causa disso!!!

Não tem Show nenhum por aqui de peso!

Sempre os Pago-Funks da vida!


O Arctic Monkeys Foi em todos os estados que o Tim festival passou...menos 1... Adivinha???


O MEU!