Friday, September 29, 2006

A casa da luz vermelha, um adendo

Quase todos os dias dessa semana encontrei recados de homens na minha secretária eletrônica quando cheguei em casa.

Segunda: "Oi, Andrea, aqui é o Sérgio."

Quarta: "Oi, Andrea, aqui é o Eduardo."

Sexta: "Oi, Andrea, aqui é o Marcelo."

A luzinha vermelha piscando raramente anuncia função, mas voz de homem do outro lado é sempre uma esperança que se renova. Se não a promessa de um mundo novo ao menos a possibilidade de que o dia não precise acabar exatamente naquela hora.

Ouvir o que se segue é ainda mais lamentável do que a minha triste condição de balzaquiana solteira ou de romântica incurável: "Eu vim pedir sua ajuda...blablabla...conto com seu voto...blablabla!"

Porque candidato filho da puta tem que ter nome de homem gato, hein? Queria muito ter atendido o telefone pra mandar mesmo a vozinha gravada à merda. Porra...nem na minha casa eu tenho sossego? Nem no aconchego do meu quarto eu posso esquecer da existência desses bandidos?

Não basta me deprimir com os balançadores de bandeira e com a exploração de cada pedacinho de pau de cada barraco no Complexo da Maré?

Em vias de jogar minha secretária eletrônica na beira do cais, me contenho pensando que em 2008 o Lindberg pode decidir me ligar. E ele pode ser bem mais rápido do que o rapaz perfumado que prometeu fazer isso ONTEM!...

Bate-boca de urna

*

Em nenhuma eleição anterior tive tanta dificuldade para me decidir quanto nesta. Desde 1989 eu vinha oferecendo exclusivamente ao PT ( ou à sua orientação) meu voto convicto e esperançoso. Diante da dura realidade dos fatos – conhecida de todos – e visando num momento acertar e no outro apenas o controle do mal maior, mudei de idéia milhões de vezes.

Cogitei o nulo, depois o voto envergonhado no PT, e depois 50 de cima a baixo. Em sinal de protesto mesmo. Até porque eu nunca sonhei em morar no país da Heloísa Helena. Me processem, mas acho que sou consumista e mulherzinha demais para combinar perfeitamente com 100% do ideário do PSOL.

Repensei tudo de novo e até me deixei levar por pesquisas e por critérios pouco ortodoxos. Na Helô, por exemplo, eu só vou votar porque eu sei que ela não leva. Quero dar moral, mas não quero eleger, entendem? Eu a adoro, mas no Legislativo.

Aliás, o grande paradoxo desse dificílimo e doloroso pleito reside justamente nessa contradição: não podemos dizer que nos faltam bons candidatos. Uma disputa que conta com pessoas do calibre de Cristóvam Buarque, Milton Temer, Vladimir Palmeira, Jandira Feghalli e Fernando Gabeira não pode ser vista como uma competição de baixo nível. Sobra gente boa, mas ainda assim falta opção! Especialmente no que diz respeito aos cargos do Executivo. A maior parte das propostas – se é que podemos chamar assim - são claramente levianas e inexeqüíveis. E de uma maneira geral nitidamente populistas e eleitoreiras.

No entanto, nem tudo foi assim tão difícil. Para Federal, vou de Chico Alencar mais uma vez, como fui em todas as outras. E juro que não é por causa do largo sorrisão e dos olhinhos verdes.O partido é outro, mas os valores são os mesmos desde a primeira eleição em que confiei nele. E é isso que interressa.

Eleitores revoltados muitas vezes não demonstram constrangimento algum ao afirmar que não lembram em quem votaram menos de seis meses após as eleições. Outros defendem o voto nulo por se dizerem cansados de tantas decepções.

Tá aí...acho que sou um alien. Ou alguma outra estranha forma de vida, porque sempre votei no Chico e repito o voto porque me sinto extremamente recompensada por tê-lo como meu representante no Congresso Nacional, com base na permanente prestação de contas que o meu deputado faz questão de manter atualizadíssima!

Indecisões à parte, ao menos minha fidelidade ao Chico é um sinal de que EU SEI VOTAR, sim! Faltam uns tantos outros começarem a aprender. Órfã do PT, resolvi dar o meu jeito bagunçando a cédula com combinações estapafúrdias e nunca de antes imaginadas por mim. Mas junto com cada "confirma" aparentemente nonsense vai meu coração, minha consciência e acima de tudo meu senso de responsabilidade. Posso até errar, mas quebrando a cabeça pra tentar contribuir.

Domingo o que não pode prevalecer é a preguiça.Quem acha que toda a classe política brasileira nos envergonha deve parar pra pensar, um instante que seja, em como alguns grupos pouco comprometidos com o bem comum continuam se perpetuando no poder.

É difícil casar a fala indignada de quem clama por ética na política com um resultado que aponta a possibilidade de que a situação, no Rio de Janeiro e em nível nacional, leve a eleição ainda no primeiro turno. Sem quase suar a camisa.

Me dói muito saber também que a despeito de todos os escândalos, a renovação na Assembléia Legislativa do meu estado será irrisória. Quem vota no Picciani, pelo amor de Deus? Eu nunca vi, mas esse alguém existe e pelo jeito, faz muita diferença...para PIOR!


Já sei! Deve ser mais um dos que vivem por resmungando que nada muda. De repente ele continua votando mal só para continuar tendo razão...

Wednesday, September 27, 2006

Top 5 ativistas anti-sobriedade (anexo 2)

1. FRANK SINATRA: "Tenho pena de quem não bebe. Quando eles acordam sóbrios, já sabem que se sentirão da mesma forma o dia todo."

2. HOMER SIMPSON: " Tá bom, cérebro. Você me odeia e eu te odeio. Então, deixa eu continuar a te matar com bebida."

3. OSCAR WILDE: "O trabalho é o teste da aula de bebida."

4. DEAN MARTIN: "Você não está bêbado se consegue deitar no chão sem se apoiar."

5. ERNEST HEMINGWAY: "Eu bebo para tornar as outras pessoas interessantes."

E eu, quando li sobre os malefícios da bebida, resolvi parar de ler!

Politicamente ereto ou o jogo do eufemismo (anexo)

A coisa tá afro-descendente pro meu lado. Os ativistas PC me ameaçaram com mil processos depois do que pareceu a eles uma defesa acalorada demais do direito de dizer o que se pensa.
Não é de hoje que o conteúdo desse blogue vem sendo apontado como altamente ofensivo a certas minorias. Em vista disso, achei apropriado rebatizar alguns termos e expressões essenciais à análise dos meus assuntos preferidos.

(Mesmo que eu tenha me valido de plágio - oops! - prosa previamente possuída: http://www.pcphrases.com/)


As pessoas não são loucas, são apenas socialmente desalinhadas:

Alcoólatra : ativista anti-sobriedade
Baixo: anatomicamente compacto
Desonesto: eticamente desorientado
Detento: cliente do sistema prisional
Feio: cosmeticamente alternativo
Incompetente: diferentemente qualificado
Ladrão: especialista em ajuste de custo de vida
Pobre: economicamente marginalizado
Psicopata: seletivamente perceptivo
Vômito: exame não-planejado de comida previamente consumida


Os homens não são porcos, sofrem apenas de excesso de empatia suína:

Babaca: caso de inversão crânio-retal
Bêbado: espacialmente perplexo
Burro: verbalmente desafiado
Galinha: avesso à monogamia
Gostoso: fisicamente combustível


Não sofremos de TPM, somos apenas hormonalmente homicidas:

Grávida: oprimida por parasita
Dona-de-casa: engenheira doméstica
Bêbada: verbalmente disléxica
Galinha: horizontalmente acessível
Gostosa: dependente de colágeno


Alunos não são preguiçosos, são apenas desprovidos de motivação:

Bagunceiro: não- conformista
Desastrado : particularmente coordenado
Fedido: retentor de odor
Fofoqueiro: rápido transmissor de informação não-fatual
Tagarela: verbalmente abundante


Mais gracinhas em: http://www.getamused.com/

Sunday, September 24, 2006

É minha! É minha! A porra da cabeça é minha!

Se o politicamente correto ainda não matou o humor, é sabido que trata-se de uma questão de pouco tempo até que nenhuma piada seja ainda universalmente aceita e compreendida. Num futuro não muito distante só poderemos rir de objetos inanimados. Mas só enquanto nenhuma ONG se organizar também em defesa deles.
Pensem num amanhã em que chamaremos penico ( termo ambientalmente ofensivo!) de porta-excremento. Pensando bem...prevejo para breve o banimento de qualquer expressão que nos relembre nossa condição de seres em constante e irreversível processo de putrefação. Os bem-intencionados entusiastas do PC lutam para fazer do mundo um lugar mais limpinho, ainda que extremamente chato!
A propósito, a corrente mais irritante do pensamento PC é justamente aquela que defende a adoção de hábitos saudáveis e um estilo de vida ultra-disciplinado visando a longevidade e a conservação do corpo a qualquer custo.
É ótimo que a gente se ame e se cuide. E que ame o próximo e que também deseje compartilhar com ele todos os ganhos obtidos na inglória batalha contra o tempo. Mas é justo impor sua discutível verdade a esse mesmo próximo caso ele ouse pensar diferente e estabelecer para si outras metas e prioridades?
A patrulha PC-saudável é talvez a mais intolerante e cruel entre todas as que tentam - à analise de cada mínimo gesto - interferir nas nossas vidas e na nossa particular maneira de vivê-las. As manifestações podem variar de um olhar enviesado a uma palestra de duas horas sobre colesterol, triglicerídeos e cia. Até os radicais podem ser livres , mas eu (moderada, mas chegada às farras de todo tipo) aparentemente não!
Para mim, é complicado viver sem alguns prazeres que tratam mal o corpo como o cigarro, a bebida e a comida gostosa. Mas eu ouço. Por educação ou por amor a um amigo. Mas sempre pensando no sentido de viver tanto com direito a tão pouco.
Quem ainda não viu o genial Obrigado Por Fumar, larga agora essa droga de blogue e vai correndo assitir. E , pelo bem do planeta, convide um vegan para lhe fazer companhia!
O filme é ácido, engraçado e politicamente incorreto como os tempos atuais ainda permitem.
Qualquer um que já tenha se debatido em alguma instância contra o senso comum vai se identificar com o anti-herói Nick Naylor e sua algo quixotesca defesa do indefensável. Sem tomar partido da indústria do fumo ou dos ativistas anti-tabaco, a história é , antes de tudo, um libelo em favor do às vezes esquecido direito de ser indivíduo e de um mundo em que o CERTO e o ERRADO possam ser ainda negociáveis.
Pode paracer pouco, mas não dá para pensar em uma sociedade justa se a razão continuar sendo dada apenas a quem já a tem. A gente só pode escolher muito pouco na vida , não precisa abrir mão de escolher o que pensar também.
E nunca é demais lembrar: odeie o cigarro, não o fumante!
I'll state my case of which I'm certain
I've lived a life that's full
I've travelled each and every highway
And more, much more than this, I did it my way

Wednesday, September 20, 2006

RAPIDINHAS

Da Baixada
Nova Iguaçu acaba de ser declarada campeã da disputa histórica contra o município de Duque de Caxias. Dane-se o dinheiro do petróleo e o sexto PIB nacional...cidade boa mesmo é cidade bonita! E o que pode enfeitar mais uma cidade do que foto de homem gato? Ignorem os buracos na Via Light e venham apreciar os 953583458 outdoors em que o prefeito Lindberg Farias sorri e vende obras. Uma fofura! Já em DC, o mandatário local continua atendendo pelo sugestivo apelido de Batoré...

I see dead people!
Ele tinha sumido - para variar, sem explicação - há vários meses e ela, cansada de esperar, já totalmente em outra.
Num belo dia, o telefonema e o convite que ela prontamente recusa: "Estou apaixonada". Ele: "Olha, toma cuidado, não quero depois ouvir dizer que esse cara te magoou, tá?

Novos mitos urbanos da noite carioca

Dono de câmera fantástica: "Nossa! Essa ficou show. Te mando amanhã por e-mail."
Flanelinha: " É dez real adiantado. Se preocupa não que nós fica até o fim da noite."
Moça suada e ofegante: "Odeio funk. Só dancei porque tô bêbada!"
Amigo recente : "Tem pouco tempo que eu comecei a beber. Até um ano atrás eu só saía sóbrio e nem sentia falta de álcool pra me divertir"
Amiga antenada: " Viu quem acabou passar?"
I want to be alone...
A maior bandeira que quem quer virar personagem de blog pode dar é dizer uma merda federal e de imediato vestir uma cara de medinho, supostamente implorando por clemência: "Olha, não publica isso, tá?" Tipo modelo bocuda que dá uma rapidinha gostosa na praia e se arrepende depois de ser vista e distribuída mundo afora.

Saturday, September 16, 2006

Please don't say "foi mal"

O You-Tube também destruiu a sua vida?

Eu vinha num processo legal, caminhando para uma relação saudável com a internet...até que a chance de rever clipes toscos e todos os pileques de Heleninha Roitman me congelou horas diante do micro sem a menor noção do tempo perdido nessa atividade nada produtiva.

O que eu mais gostei foi de poder ver quadros de stand-up comedy que jamais seriam disponibilizados por essas bandas. Ah, foi mal aí pra quem não entende esse tipo de humor, mas trata-se certamente da forma de arte mais completa e formidável que existe. Segurar a atenção de uma platéia só com texto, microfone e atitude é o sonho de todo professor, né? Talvez por isso eu admire Jerry Seinfeld mais até do que Camões e Madonna. Eu adoro as narrativas torpes e as reflexões amorais sobre o cotidiano...para mim, quanto mais politicamente incorreto, melhor. Foi mal se você se vê retratado no patético da vida, mas eu quero é rir desse mundo estranho! O tom digressivo desse blog não é meio metidinho a engraçado? Confesso, sou uma comediante frustrada.

Graças aos conselhos de um amigo professor e também comedian-wannabe, vi tudo o que pude do Chris Rock. Ao mesmo tempo em que me apaixonava perdidamente pela série que para mim foi a grande estréia da temporada 2005-2006: Everybody Hates Chris, onde Rock passa a limpo sua adolescência de menino negro no Brooklyn desconstruindo e escrachando todos os mitos relativos à democracia racial que os EEUU ainda tentam ingenuamente vender ao mundo . Ele toca fundo na ferida e incomoda muita gente que já acusou o programa de ser panfletário e chulo.

Uma das incomodadas - por outros motivos - foi uma ex-professora de Chris Rock, mostrada na série como uma senhora doce e bem intencionada, mas que sempre que tentava ser inclusiva dizia ao garoto coisas como “Você e sua gente...” Causou furor na mídia o mea culpa da velhinha, retratando-se por suas atitudes racistas e anti-pedagógicas numa carta ao comediante. O engraçado é que a ficha da coitada só caiu agora, mais vinte anos depois, quando ela assistiu a série e conheceu o ponto de vista do menino que ela imaginava ter tratado tão bem. Ou será que ela "se arrependeu" só porque todo mundo viu? Não seria a primeira a oferecer ao mundo desculpas vazias, certamente.

Graças à minha catarse bloguística, tive meu dia de Chris Rock. Esbarrei certa noite com o vilão de uma das narrativas: “Legal seu blog, você escreve bem, não pensei que você fosse tão engraçada...blablabla”. Eu me achando a tal...coitado, isso é apenas UMA das coisas maravilhosas sobre mim que você não quis descobrir...até que: “Aí...foi mal. Não sabia que você tinha ficado chateada. Tá muito gata, hein? Vai entrar?”

Bem, podia ser pior. O acaso me poupou de ler “foi mal” em comentário ao post em questão. A propósito, esse irritantíssimo “foi mal” devia servir de slogan para essas operações tapa-buraco emergenciais que os políticos em campanha promovem para maquiar a cidade por alguns dias. Até a próxima chuva. E a próxima enchente.

Aparentemente “foi mal” apaga qualquer incômodo do passado, recente ou jurássico. Quando foi mesmo que essa lamentável expressão se tornou tão poderosa, hein? Ouvi até dizer que estão revendo os livros infantis...onde lia-se ABRACADABRA agora se lê “foi mal”. Não importa o tamanho do milagre que se almeje !

Não pensem , no entanto, que se trata de um artifício recente. As origens da expressão remontam ao simbólico ano de 171 A.C., quando numa sauna romana um soldado alquebrado e constrangido disse pela primeira vez: "Foi mal, isso nunca me aconteceu antes!"

“Foi mal” serve tanto para “foi mal, não te liguei” quanto para“foi mal, te endividei”, “foi mal, queria poupar sua vida, mas tenho medo de ser reconhecido!” Será que funciona se eu olhar pro espelho de ressaca e disser: “Ah, bebi tanto...foi mal!”? Se eu fumar dizendo “foi mal” meu corpo me poupará das rugas? Ou a mágica só funciona mesmo pra homem?

Parece que sim e segundo uma amiga a responsabilidade é 100% nossa: mães, filhas, irmãs, amigas, esposas. A gente desculpa os caras de tanta coisa que eles acabam sempre achando que vão escapar de mais uma dizendo apenas “Ih! Foi mal...”


*
Menos no Mundo Bizarro do Chris Rock. Me desculpem, meninas:

Wednesday, September 13, 2006

Febre de sábado à noite 2: ilustrando conceitos

Homem do Far Up tem uma cara assim...de ator do segundo escalão. Cara de gente honesta, que tem o seu valor mas que não sabe bem escolher filmes (ou roupas) e cultivar celebridade
Não dá pra imaginar essas carinhas de perdedores dando show na pista de dança, mas será que só por isso eles não podem ser (ou voltar a ser) protagonistas??

Quem em sã consciência dispensaria um fofo desses só por causa de um celular na cintura?

Monday, September 11, 2006

Febre de sábado à noite : relativizando

Meus amigos que moram bem são muito maus. Eles simplesmente se recusam a me visitar na Baixada. Resultado: eu vivo me despencando para a Zona Sul para conversar e beber com esses ingratos. Ao menos eles concedem a graça de quase sempre marcar o choppinho na Cobal do Humaitá, ali na boquinha do Rebouças, praticamente no Baixo-Caxias.

Sempre encarei o Far Up, no cantinho, com a maior reserva. Achava que fosse lugar de loser e de mauricinho.Olhava aquelas peruas arrumadérrimas se exibindo no terração e pensava no quanto aqueles saltos 15 não combinavam em nada com o som de rock nostálgico que vinha dali. Tudo mudou no último sábado. Nada como o aniversário de uma pessoa muito querida para começarmos a rever conceitos.

Cheguei cedinho determinada a me embebedar o quanto antes para que a noite passasse rápido. Não sei se os drinks (provei quase todos!) são realmente milagrosos, mas em meia hora eu já estava simpatizando com o lugar. Principalmente depois que o show – marcado por um certo excesso de U-huls!- começou.

Só então pude me ater um pouco à analise da fauna e da flora da casa. Flora , aliás, quase inexistente. Poucas vezes no Rio estive num lugar tão bofinho. Um festival de tiozinho e camisa xadrez de dar gosto.Também tinha mullet, celular na cintura... e não é que eles têm lá seu charme? Me acostumei tanto a admirar dreads estilosos requebrando na salsa e no samba que até esqueci que não tem coisa mais fofa nesse mundo do que homem que não sabe dançar. Ah, tem sim: homem que não sabe se vestir. Se ele achar que estar arrasando então, é nocaute! Me vi subitamente diante de um tesouro inexplorado.

O processo é antigo. De muito antes de a presidente de honra do outrora seletíssimo clube Sexo em Nikity ter se pronunciado em favor da flexibilização dos targets . Tem tempo que eu olho com ternura para esses rapazes que trocaram o molejo das cadeiras por pulseiras de ouro. Há qualquer coisa de vulnerável e de discretamente sexy nessa falta de jeito que remete um pouco aos tipinhos que me atraiam na adolescência. Sabe aquela carinha de pureza, de quem ainda não tem recursos pra te magoar? Poxa, e ao som de Lulu Santos e Kid Abelha!

Pena que a única biba presente fosse justamente o meu acompanhante. Não demorou muito para o puto - totalmente sem target - se queixar de sono, cansaço e dor de cabeça. Tentei me fazer de desentendida, mas quando ele disse que estava com FEBRE, tive que preparar a saída. Uma pena. Estou louca para voltar ao Far Up num sábado com amigas , digamos, um pouco mais dispostas.

Um passarinho me contou que a bicha sabotadora em questão foi vista, na mesma madrugada, “comendo um hot dog vulgar” lá pelas bandas do Parque Suécia. Não sei se ela tava realmente com febre ou só com fome, mas eu bem podia ter usado quaisquer dos argumentos pra insistir em ficar, sabe?

Friday, September 08, 2006

"Não é você, sou eu."

George Costanza reinvidicou para si a autoria dessa genial justificativa para finalizar namoros. A fala realmente já foi um grande achado que permitiu a muitos sair de um rolinho equivocado de forma relativamente leve e impedir qualquer tipo de argumentação contra a inviabilidade do relacionamento. Pena que a saída estratégica pela esquerda venha se banalizando e deixando de surtir os efeitos a que se propunha de início.

Principalmente se a dispensa for coroada com pérolas de pé na bunda como "Não estou pronto para um relacionamento agora", "Preciso me concentar no trabalho", "Você é especial demais e merece alguém melhor do que eu"...são tantas as variações que eu poderia escrever um blog inteiro apenas sobre elas. Ou melhor, decifrando o que realmente querem dizer:

"Não é você, sou eu...QUEM NÃO TE QUER!', "Não é você, sou eu QUE POSSO ENCONTRAR ALGUÉM MELHOR!", "Não é você, é OUTRO!"

Costanza foi feliz até o dia em que ouviu pela primeira vez o "Não é você, sou eu" que ele estava careca (...) de dizer às namoradas que se mostravam inadequadas. O brilhante enunciado só funciona como alento para almas inocentes que nunca fizeram uso desse manjadérrimo expediente. Se você já se safou de alguém com esse papo, sabe muito bem o que está por trás dele. E, ouvindo o mesmo caôzinho, é horrível constatar que dessa vez é você quem simplesmente não serve.

Em tempos de eleição sempre é bom lembrar que política e honestidade nunca andaram de mãos dadas. Principalmente no que diz respeito às relações pessoais. Se você quer preservar a imagem, precisa fingir. Uma mentirinha branca sempre vem a calhar. Para quem fala e para quem ouve. Por mais que a gente viva bradando aos quatro ventos que quer ser tratado com honestidade.

Já pararam para pensar num mundo em que a gente só ouvisse a verdade nua e crua? No mínimo o número de suicídios subiria assustadoramente. A realidade da vida às vezes é dura demais e querer se proteger dela não é um crime, assim, inconfessável...em alguns casos é melhor mesmo se fazer de bobo e evitar entrar em certos detalhes.

Uma amiga muito querida insistiu em cobrar razões consistentes de um namorado que sumiu sem dar nem uma má explicação. Após exigir que ele dissesse que estava realmente tudo acabado e o porque do fim ela recebe um e-mail lacônico de uma linha apenas: "Eu não quero mais". Super sincero. Super doloroso para ela.

O que leva às inevitáveis perguntas: existe mesmo um jeito bacana e decente de terminar um relacionamento? É mais válido puxar o band-aid de uma vez ou prolongar a agonia até que o outro se acostume à idéia? E - perguntar não ofende - é melhor estar na posição de breakER ou de breakEE?

Ah, qual é? Só mesmo quem já passou pela necessidade de dispensar alguém legal conhece a dor da situação. De um lado, a convicção de que aquele sentimento não tem mais para onde crescer. De outro, o medo de abrir mão de uma pessoa que - sabe lá Deus porque - achou de gostar da gente.

Fora que, para o chutado, todos os amigos estão a postos, prontos para levantar o moral e propôr programas que o façam esquecer a ingratidão de quem não lhe deu o devido valor. Para quem teve a coragem de determinar o fim, nenhuma compreensão, nenhuma coversa sobre eventuais dúvidas. Quando não se tem que lidar com o igualmente cruel: "Mas não foi você quem quis assim?"

Terminar sempre é chato, não importa de que lado da mesa estejamos. Tem gente que já desistiu de namorar só por medo desse momento.Não deixo de entender que eles têm mesmo um bocado de razão. Recolho-me à minha modesta insignificância, fecho as portas do consultório sentimental e passo a bola para Beto Guedes e Fernando Brant, cientes das responsabilidades mas confiantes nas compensações:

O medo de amar é o medo de ser livre para o que der e vier
Livre para sempre estar onde o justo estiver
O medo de amar é o medo de ser, de a todo momento escolher

Com acerto e decisão a melhor direção

O sol levantou mais cedo e quis em nossa casa fechada entrar pra ficar

O medo de amar é não arriscar esperando que façam por nós o que é nosso dever
Recusar o poder

O sol levantou mais cedo e cegou o medo nos olhos de quem foi ver :Tanta luz!


*

Para a precocemente desencantada JeniFFer e para os eufemistas Ril, Fê Guimarães e Renato Roriz.


*

SERENITY NOW!