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Eu sou uma pessoa doente, eu sei.
Às vezes eu mantenho um pote de shampoo com um dedinho de resto por meses só porque me apeguei ao frasco, porque eu acho que ele enfeita o banheiro.
Mas tem também o mal que todos os filmes, livros e músicas me fizeram. Desde muito cedo eu me tornei uma incurável sentimental.
Sério, gente. Se eu não cultivasse um pouquinho de cinismo para contrabalançar teria me suicidado aos doze.
A questão é que a gente tende a mesmo a supervalorizar banalidades e enxergar significados e ritos de passagem nas atividades mais banais e prosaicas.
Por exemplo, hoje eu consegui, depois de quatro anos, finalmente dar o meu carro em troca de um bem mais novo e melhor, equipado com computador de bordo e porta-óculos.
Não é que eu tive de segurar uma lagriminha por ocasião da minha última viagem no vermelhinho?
Lembrei de beijos, amassos, conversas, mudanças,cantorias, pessoas, vômitos e quase tudo o que ele dividiu comigo nesse tempinho.
Uma saudade gostosa
do presente, se é que isso é possível.
Espero ser igualmente feliz a bordo do novo possante mas acho que vai ser imposível, quatro anos para frente, ter tanta história para contar.