Hoje levei três horas da minha casa até o trabalho. Isso depois de ter levado, ontem, duas horas do trabalho até a minha casa. Por conta dos atrasos perdi uma consulta médica que eu esperava há mais de um mês.
O bom é que eu tenho um emprego pelo qual muitos professores matariam. Não é o caos que essas chuvas doidas instauram na Avenida Brasil que vão me fazer desistir dele.
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Mal humor algum resiste à cara de ressaca que o meu colega orgulhosamente ostenta ao correr para a cafeteira:
- Tomou todas ontem?
- Ontem e hoje. Ainda tô tomando.
- Já começou a comemorar o aniversário?
- Não. Foi pela minha filha. Ela menstruou, finalmente. Treze anos...já tava ficando bolado.
- Legal...
- Comprei o primeiro modess dela e depois caí no samba.
- ???
- Não sem antes ter uma conversa séria com ela...
...
- Já que não dá pra evitar o inevitável... é que a minha garota é uma princesa, professora. E eu sei que vão querer comer e nem olhar para a cara dela depois. Sei que algum maluco vai querer barbarizar meu anjinho.
Agora eu tava ouvindo MESMO:
- Você disse isso para a menina?
- E disse mais! Disse que ela tem que aprender cedo a se defender. Tem que saber logo dar canseira e sacudir esses camaradas na cama. Se alguém vai esculachar, que seja ela. Filha minha não vai correr atrás de vagabundo nenhum...
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Meio oversharing para antes das dez da manhã? Mas agora é assim. Cabe a nós aceitarmos que a vida está mudando, e rápido. Talvez esses temporais fora de época sejam apenas a maneira que a natureza encontrou para nos alertar sobre o fim do mundo tal como conhecíamos.
No Bravo Mundo Novo, Ben Affleck fatura prêmios de interpretação em festivais de cinema europeus. Um sinal de que o grande realinhamento do universo exige também que alguns preconceitos sejam superados.
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Eu, por exemplo, quando esbarrava com Nip/ Tuck me sentia irresistivelmente compelida a interromper a minha atividade preferida diante da TV: o zapping.
Sempre apreciei a atmosfera ao mesmo tempo grotesca e glamourosa que permeava as narrativas, mas não passava disso. Tenho um fraco por seriados médicos mas esse era um que eu achava meio metido à besta. É que eu implico mesmo com tudo o que tentam me empurrar como "inovador".
A badalada participação do brasileiro Bruno Campos reacendeu meu interesse pelo programa e acabei reunindo ânimo para assistir a tudo desde o início. Resultado: virei uma chata! Mergulhei tão fundo nos contrastes da lógica binária McNamara/ Troy que só consigo estabelecer uma conversa decente com alguém que também compreenda todos os ganchos e que saiba reconhecer nos procedimenos cirúrgicos mais banais as alegorias que representam a evolução de cada personagem.
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E o Bruno, hein? Gente, o Bruno é simplesmente um co-los-so de ator! Uma delícia de ver e ouvir. Não lembra em nada a criaturinha anódina que participou daquele equívoco chamado O Quatrilho. Estou tão viciada nas tiradas ambíguas do dr. Quentin Costa que a única coisa que eu penso em fazer na minha primeira noite sexta-feira livre em meses é ir correndo para casa para assisitr mais episódios e descobrir de vez quem é o "Açougueiro"!
Se der para cair uma chuvinha fina para compor o clima, eu agradeço...
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Ué, gente... se o mundo passa por uma extreme make over radical, meus hábitos também podem mudar.
Nada de saidinha hoje.
Não se assustem. É só medo de mais engarrafamento.
Mentira.
Mais ou menos.
É medo, sim. Mas é de eventualmente precisar disputar atenção masculina com adolescentes sexualmente orientadas pelo papai-galinha. É muita covardia.















