
Sempre tive problemas com essa palavra.
Antes eu não conseguia precisar seu sentido. Confundi durante muito tempo
eclético com
etílico.Assim que me apropriei de seu significado me tomei de antipatia por ele, já que
eclético às vezes é sinônimo de confuso, escorregadio ou simplesmente
chapa branca.
Ser eclético nem é bem coisa de gente que tem medo de se decidir. Afinal de contas, devemos reconhecer que mesmo declarar-se eclético já constitui uma tomada de posição.
No entanto, quem vai negar que o ser eclético não tem lá seu medinho de compromisso ou de, no mínimo, abrir mão de algumas opções?
Mas bem quando a gente acha que pode sair por aí julgando todo mundo e criticando os ecléticos assumidos.... a vida nos dá uma porrada de leve e a gente se dá conta de que a pedra bateu no há muito esquecido telhado de vidro .
Mas é essa própria recordação da ancestral fragilidade que nos faz, de quando em vez, exercitar a tolerância e a humildade perdidas no mar de cinismo que a gente precisa navegar para viver de forma minimamente digna.
Assumo meu momento ao mesmo tempo
eclético ( no sentido mais
repulsivo e
em cima do muro da palavra) e
etílico. Daqueles em que a gente soa melhor quando fala pela boca dos outros. E em que a gente se distrai confeccionando uma lista para lá de eclética com as
músicas da semana:
1.
Bizarre Love Triangle (New Order)
2.
Quase nada (Zeca Baleiro)
3. Não quero mais amar a ninguém (Cartola)
4.
Fly me to the Moon (Frank Sinatra)
5.
Amor de irmão (Barão Vermelho)
*
Juro que não é campanha para desvincularem minha imagem do
funk...