
São três os livros.
Primeiro, lógico, Éramos seis. Sem nenhuma vergonha. Se alguém tivesse trocado o exemplar da coleção vagalume por alguma coisa supostamente mais substancial eu talvez não fosse hoje uma leitora.
Depois vem Anarquistas, graças a Deus e o percurso que eu adoro fazer ali na região da Paulista. A Alameda Santos pode até ter virado um reduto de yuppies e de publicitários modernexes, mas sempre que eu passeio por ali não resisto a procurar discretamente a oficina do Sr. Ernesto Gattai.
E tem também Brás, Bexiga e Barra Funda. Ufa! Enfim uma obra digna. Daquelas que fizeram a graduação valer a pena de verdade. O título remete a um circuito obrigatório pra quem quiser entrar em contato com um interessantíssimo (apesar de manjadérrimo) aspecto da vida paulistana: a Itália, ué.
A coisa toda não se resume ao Palmeiras e ao falar cantado avesso ao plural (influência clara da língua de Dante!). A manifestação mais comovente da cultura italiana no ruge-ruge da capital paulista se vê mesmo é dentro de um bom prato fundo. De preferência em cima de uma toalha quadriculada.
A cultura oriundi anda sumida da teledramaturgia brasileira mas já nos presenteou com pérolas do quilate de Pão Pão Beijo Beijo e Vereda Tropical. Novelas com núcleos italianos que abusavam das cenas de mesas fartas de encher os olhos e aguçar as fantasias até das criancinhas menos gulosas.
A segunda, inclusive, trazia como pano de fundo uma cantina e apresentava como tema gerador a conturbada relação entre a matriarca vivida por Georgia Gomide e seus trezentos filhos, todos apaixonados por ela.
Não, não se trata de mera caricatura. Na Itália eu olhava embasbacada aqueles homenzarrões transadérrimos, vestidos de Armani dos pés à cabeça, atravessando a rua de mãozinhas dadas com a mamma.
Mas dá pra entender.
Basta que você percorra quilômetros de São Paulo a pé num dia que começou escaldante e que resolveu virar frio de uma hora para a outra. Mais precisamente assim que você empacotou o casaco.
Diante de um contratempo desse porte , tudo o que a gente precisa para se renovar é de um pouquinho de massa quente no estômago e de uma meia-luz relaxante. Não importa o repertório Gigliola Cinquenti ao teclado se a fumaça que se desenha sobre o macarrão lembra a gente um pouquinho do calor de colo de mãe. E de que já é hora de voltar para casa.
Caso em São Paulo o rumo certo é o da Cantina Lazarella: http://www.lazzarella.com.br/index.htm


























